“Você não tem coragem de fazer isso”

Sempre senti que não pertencia a lugar nenhum e que estava o tempo todo assistindo a vida, participando às vezes, mas em muitos papéis figurantes como se tudo fosse um filme.
Até entrar em uma boate e perceber que posso ser a personagem principal como eu mesma ou sendo quem eu quiser.

Eu não fugi de casa, também não fui morar num pardieiro explorador de meninas, pois pesquisei bem antes de entrar nessa.  Tinha 23 anos, cursava biblioteconomia na FESPSP (Centro) pela manhã e trabalhava das 14h às 22h em uma biblioteca universitária, na zona sul de São Paulo. Morava sozinha no apartamento da minha família, estava solteira a algum tempo, de coração partido, mas curtindo conhecer pessoas no tinder, enfim eu vivia o que as pessoas consideravam normal, ou vida baunilha. Exceto pela parte que estava crescendo no twitter por postar foto seminua.

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Para vocês entenderem como escolhi viver na noite, preciso voltar bem mais na minha história, entre os 7 a 10 anos de idade (aproximadamente) fui abusada sexualmente por outras crianças só que não fiquei traumatizada da forma que outras pessoas ficariam. Um psiquiatra ou uma feminista poderia explicar melhor o que aconteceu, mas em resumo, sou levemente viciada em sexo sem um pingo de inteligência emocional.  Antes de perder oficialmente a virgindade já tinha dado muitos amassos por ai, geralmente com garotos mais velhos, amigos de amigos fora da escola, dentro dela ninguém se interessava por mim e nem eu por eles.  

Meu primeiro relacionamento sério, de viajar juntos, conhecer família etc, foi aos 20 anos.
Não era um relacionamento muito saudável, a maior prova disso foi ele reclamar para os amigos que a gente transava demais.  Olhando em retrospecto todos meus relacionamentos tinha como fator principal o sexo, o que me causava muitos problemas de convivência.
No geral quando uma mulher quer ver um cara de novo, os homens acham que ela está apaixonada, certo? Certo! Só que quando eu queria ver um cara de novo era só pelo sexo, mas não sabia explicar que era só isso, era o que as pessoas consideram uma vadia e amava isso, porém tinha medo de admitir.
Enganei-me muitas vezes confundindo excitação com amor, iludi pessoas fingindo que estava apaixonada só para continuar transando com ela.
Nunca tive problema para tirar a roupa, agora sentimentos e mostrar quem eu era de verdade eram outra história.  Poderia escrever uns três livros à parte só com as minhas presepadas pra conseguir transar antes de virar garota de programa.

Quando aprendi a deixar as coisas bem claras foi sensacional. Aprendi talvez não seja o termo correto, não lembro o que aconteceu, foi como apertar um interruptor dentro de mim e de repente não me importava mais com a moral e com o que pensariam de mim.  Certa vez passei a semana inteira dormindo em motéis ou na casa de pessoas que conheci no tinder e usando roupas emprestadas da minha amiga, pois não tinha tempo de ir pra casa me trocar.
Também comecei a ficar com um cara na faculdade que basicamente a gente só conversava para marcar de transar no banheiro de deficientes no intervalo da aula ou jogar League of Legends quando eu chegasse do trabalho.  Como nada era suficiente ainda tinha um amigo de muitos anos que eu ficava quando não tinha opção. Cheguei a orquestrar transar com 3 contatinhos em um único dia, deu mais que certo e me orgulho disso, como muito homem se orgulha de fazer isso também.
Nem Barney Stinson tinha um currículo melhor do que o meu.

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 Não tinha mais problemas com homens me ignorando achando que tava apaixonada, eles é quem não me deixavam em paz. Emocionalmente aleijada porem feliz.
Até que me deparei com uma nova situação, me apaixonei a primeira vista ou foi tesão à primeira vista, só sei que transamos no mato atrás do balcão de cerveja, durante uma festa da USP, embaixo de um telão que passava um filme pornô de Smurff. Mesmo deixando claro que só queria sexo, esse homem fazia questão de querer saber tudo sobre mim, criar uma conexão antes de ficar pelado. Quis morrer outra vez que nos encontramos e ele ficou uma hora perguntando da minha vida antes de me dar um beijo na boca, então o tesão realmente estava virando paixão, grande burrice porque no final das contas foi só um jogo, quando disse que gostava dele, ele disse de uma forma muito educada, delicada e bonita que eu só servia pra sexo. Desnecessário né? Até hoje estou inconformada com isso.

Então descobri o mundo dos “nudes” no twitter, foi ai que comecei a adorar ter atenção de tantos homens ao mesmo tempo e criar fotografias com jogos de sombra que deixavam meu sexo escondido, logo eles ficavam mais e mais curiosos. Comecei a ter contato com garotas de programa que usavam e usam o site até hoje para conseguir clientes, contar histórias e exibir lucros. Não sei dizer em que momento a semente foi plantada, se surgiu em mim ou foi por influencia de alguma coisa que eu li, só sei que a ideia de ser paga para transar acendeu dentro da minha cabeça como um palito de fósforo. Comecei a ler e pesquisar todas as histórias, entrevistas, filmes, tudo sobre o mundo da prostituição e de uma luzinha minúscula, essa ideia virou um facho de luz desses de show que você enxerga a distancia.

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Uma resposta para ““Você não tem coragem de fazer isso””.

  1. Moça do céu, já tô pronta pra ler seu livro. Cadê?? Quando lança??

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